O I CHING é um livro que representa o espírito da cultura chinesa,
pois nela trabalharam durante milênios os maiores sábios da China.
Apesar de sua espantosa idade, nunca envelhece, permanece atuante, pelo menos para aqueles que compreendem seu sentido.
Devemos agradecer à capacidade criativa de RICHARD WILHELM que
colocou esta obra ao nosso alcance, não apenas através de um cuidadoso
trabalho de tradução, como também pela sua experiência pessoal, de um
lado como discípulo de um Mestre chinês da velha escola e de outro,
como iniciado na psicologia da ioga chinesa, para a qual a aplicação
prática do I CHING sempre representa uma experiência renovada.
Mais importante, no entanto, é o fato deste autor nos haver
inoculado o germe vivo do espírito chinês, capaz de modificar
essencialmente nossa visão de mundo. Não permanecemos apenas como
expectadores, admiradores ou críticos, mas tornamo-nos participantes do
espírito oriental, na medida em que tivermos experimentado a eficácia
viva do I CHING.
O princípio no qual se baseia o I CHING encontra-se aparentemente
em profunda contradição com a concepção do mundo ocidental, científica
e teleológica.
Em outras palavras, ele é extremamente anticientífico e, proibido,
uma vez que é incompreensível e foge ao nosso juízo científico.
Os chineses possuem uma "ciência", cuja obra máxima é o I CHING,
mas o princípio desta ciência, como muitas outras coisas na China, é
frontalmente diverso do nosso modelo científico.
A ciência do I CHING não se baseia no princípio da causalidade mas
em outro princípio: a sincronicidade. Quer dizer, existem manifestações
psicológicas paralelas que não se relacionam absolutamente de modo
causal, mas representam uma forma de correlação totalmente diferente.
Tal conexão baseia-se essencialmente na relativa simultaneidade dos
eventos. Daí o termo sincronicidade.
Longe de ser uma abstração, o tempo se apresenta como continuidade
concreta, contendo qualidade e condições básicas que podem se
manifestar em locais diferentes com relativa simultaneidade, que se
explica de forma causal; por exemplo: na ocorrência simultânea de
pensamentos, símbolos, ou estados psíquicos similares.
Esta é a fórmula básica para a prática do I CHING. Sabe-se que o
conhecimento do hexagrama - que reproduz o momento - é obtido através
da manipulação puramente causal das varetas ou moedas.
As varetas caem conforme se apresenta o momento.