A "imaginação" é um extrato concentrado das forças vivas do corpo e
da alma. Compreende-se assim a exigência de que o artista tenha uma
constituição física sadia, uma vez que trabalha com sua quintaessência
e através dela; daí ser essa condição indispensável ao seu trabalho.
Devido à mistura do físico e do psíquico não se pode dizer ao certo se
as transformações decisivas no processo alquímico devem ser procuradas
no âmbito material ou no espiritual. Existe um reino intermediário
entre a matéria e a mente, isto é, um domínio anímico de corpos sutis,
cuja característica manifesta-se tanto sob a forma espiritual, como
material. A existência desse reino intermediário cessa no momento em
que se busca examinar a matéria em si mesma, independentemente de
qualquer projeção; o reino intermediário dos corpos sutis permanece na
não-existência enquanto acreditamos saber algo de definitivo acerca da
matéria e da alma.
Mas assim que a física toca numa região "nunca pisada, ou que não
deve ser pisada" e simultaneamente a psicologia deve admitir outras
formas de existência psíquica além das aquisições da consciência
pessoal, isto é, no momento em que a psicologia se depara com uma
escuridão impenetrável, o reino intermediário revive e o físico e o
psíquico tornam a fundir-se numa unidade indivisível.
A alma ocupa o lugar de Deus e habita o espírito da vida que está
no sangue; que ela governa com inteligência e esta, o corpo; que a alma
opera no corpo.Mas a maior parte de sua função é exercida fora do
corpo. Esta característica é divina, pois a sabedoria divina só está
contida parcialmente no corpo do mundo; em sua maior parte ela está
fora e imagina coisas muito mais elevadas do que o corpo do mundo pode
conceber; essas coisas estão além da natureza e são os próprios
mistérios de Deus. A alma imagina muitas coisas profundíssimas fora do
corpo, à semelhança de Deus. No entanto, o que a alma imagina acontece
apenas na mente, mas o que Deus imagina acontece na realidade. A alma
no entanto tem o poder absoluto e independente de fazer outras coisas
além das que o corpo pode entender. Quando ela quer, tem o maior poder
sobre o corpo; pois de outra forma, nossa filosofia seria vã...
A imaginação, tal como a entendiam os alquimistas, é na verdade
uma chave que abre a porta para o segredo do opus. Trata-se de
representar e realizar a "coisa maior" que a "anima", como ministro de
Deus, imagina criativamente e "extra naturam". Em linguagem mais
moderna dir-se-ia que se trata de uma concretização dos conteúdos do
inconsciente que são um a priori de caráter arquetípico. O lugar ou o
meio desta realização não é nem a matéria, nem o espírito, mas aquele
reino intermediário da realidade sutil que só pode ser expresso
adequadamente através do símbolo. O símbolo não é nem abstrato nem
concreto, nem racional, nem irracional, nem real nem irreal. É sempre
as duas coisas: a nobre questão daquele que foi segregado, daquele que
foi escolhido e predestinado por Deus desde as origens.
Assim pois estuda, medita, sua, trabalha, cozinha... abrir-se-á
então para ti uma torrente salutar, a qual nasce do coração do filho do
grande mundo, uma água que nos é dada pelo próprio filho do grande
mundo e que jorra de seu corpo e coração, tornando-se uma verdadeira
Aqua Vitae natural.
Extraído do livro Psicologia e Alquimia